Lara Resende nega ter falado com Lula sobre conselho fiscal e monetário
Economista diz que juro alto é a raiz do déficit público e afirma que a proposta de novo órgão não prevê tabelamento da Selic
O economista André Lara Resende afirmou, em entrevista à BBC News Brasil nesta quarta-feira (5/11), que não teve contato com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nem tem reunião marcada para apresentar sua proposta de criar o Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN).
Proposta ganhou repercussão
O artigo foi publicado em setembro na newsletter do economista no Substack. Ganhou projeção depois que a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) o compartilhou nas redes, em 28/10. Parte do mercado passou a apostar em um encontro com Lula, que avalia nomes para o Ministério da Fazenda. Lara Resende disse que essa informação foi "plantada" e que não quer ir para o governo.
O que prevê o conselho
O CFMN atuaria ao lado do Banco Central para definir metas de longo prazo para a política fiscal e para os juros, com o papel de coordenar expectativas. Como o BC só pode criar comitês consultivos, a ideia dependeria do Congresso.
Juros e déficit
Para o economista, o desequilíbrio das contas públicas decorre mais dos juros altos do que dos gastos. Ele chamou o efeito de "bolsa-rentista". Segundo o Tesouro Nacional, o déficit de 2025 foi de 0,48% do PIB. A Selic foi mantida em 13,75% ao ano nesta semana.
Críticas
Segmentos do setor financeiro e da oposição veem na proposta uma tentativa de reduzir os juros à força. O artigo cita queda gradual da taxa em cerca de 12 meses, para perto de 7,5% ao ano. Lara Resende diz ser contra tabelamentos e que os números são apenas indicativos. O americano John Cochrane, da Hoover Institution, chamou a ideia de "sofisticada", mas mais teórica do que prática.