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Itamaraty empossa os primeiros diplomatas indígenas da história do país

Marcelo Kariri Menezes e Idjahure Terena entram no curso do Instituto Rio Branco, em turma que também inclui uma diplomata quilombola.

Por Redação Portal RGN ·

Foto: André Guajajara/MPI/ Agência Brasil

Turma com perfil mais diverso

Segundo a Agência Brasil, a turma que começa em 2026 e termina em 2028 reúne cerca de 60 aprovados no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD). Quase metade deles vem de grupos sub-representados na diplomacia: 17 pessoas negras, sete com deficiência, uma quilombola e os dois indígenas. As mulheres são 45% do grupo, a maior proporção já registrada.

O concurso teve ações afirmativas, previstas no Estatuto da Igualdade Racial, de 2010, e defendidas havia anos por movimentos de direitos humanos.

O que disseram as autoridades

A ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, afirmou que a entrada dos primeiros diplomatas indígenas e quilombolas é um ato de resistência e defendeu que o corpo diplomático reflita a diversidade do povo brasileiro. Ela citou a ampliação da Bolsa-Prêmio de Vocação para a Diplomacia, que agora também apoia mulheres de baixa renda, indígenas e pessoas com deficiência.

O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, disse que o momento materializa a ideia de "aldear o Estado". O escritor Ailton Krenak, convidado de honra, também falou na cerimônia.

Trajetória dos novos diplomatas

Marcelo Kariri, de Campina Grande (PB), é engenheiro eletricista pela UFCG e tem MBA pela USP/Esalq. Idjahure Terena é doutorando em Antropologia Social na USP e mestre pelo Museu Nacional da UFRJ.

O IBGE, em 2022, contabilizou 1,2 milhão de indígenas no Brasil, de 391 etnias.