Portal RGN
Notícias

Derrota de Trump nas urnas pode abrir espaço para rever tarifaço

Para o cientista político Robson Carvalho, o revés republicano nas eleições de meio de mandato nos EUA abre margem para o Brasil rediscutir as tarifas e pode frear a política externa de Washington.

Por Redação Portal RGN ·

Democratas avançam no Congresso e nos estados

Até o início da tarde desta quarta-feira (4), os democratas haviam confirmado 25 vagas a mais na Câmara dos Deputados dos EUA, chegando a 224 assentos, seis acima da metade. Outras 73 vagas ainda estavam sendo apuradas.

No Senado, o partido de Trump perdeu sete cadeiras, e os democratas alcançaram 54, quatro à frente da metade. Faltava definir os nomes de dois senadores. Nos estados, já estão confirmados 28 governadores democratas e 20 republicanos, e a disputa segue aberta em dois deles.

Análise: espaço para rediscutir o tarifaço

Segundo Robson Carvalho, o reequilíbrio geopolítico criado pelo resultado dá ao Brasil margem para rediscutir o tarifaço norte-americano, que ele afirma ter motivação política. O cientista político avalia que o desfecho pode frear tanto a política externa dos EUA quanto a expansão da extrema-direita na América Latina.

Para ele, trata-se de uma das derrotas eleitorais mais expressivas dos republicanos nas últimas décadas. Carvalho disse que o recado acende uma luz "entre amarela e vermelha" para a política externa, que ele compara a uma política imperialista.

A questão do veto

Trump afirmou que aceita a vitória democrata, mas publicou uma imagem com a palavra "veto". Antes da eleição, ele havia dito que usaria o veto presidencial para barrar leis da oposição. De acordo com Carvalho, o presidente conseguirá manter algumas decisões, mas a maior parte dos vetos pode ser derrubada pelo Congresso. O analista também afirma que é comum Trump recuar de declarações e depois culpar a imprensa.

Repercussões políticas

De acordo com a agência Reuters, a eleição expressou a frustração de eleitores com a condução da economia e com a decisão de iniciar uma guerra contra o Irã, que provocou forte alta nos preços da gasolina.

O presidente do Parlamento iraniano disse que, ao votar, os norte-americanos dizem "não" à guerra. O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, elogiou a vitória democrata.

Em Israel, os rivais do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tentam formar governo sem ele. Na semana passada, a coalizão de direita de Netanyahu teve mais votos, mas perdeu a maioria parlamentar. Líderes da oposição de centro e de esquerda afirmaram que o resultado nos EUA enfraquece ainda mais Netanyahu, aliado declarado de Trump.