Conferência em Brasília defende redes de apoio entre mulheres
Comunicadoras e advogadas debatem, na conferência "Mulheres que movem a justiça", como a atuação conjunta pode enfrentar a misoginia e a desinformação.
A conferência internacional "Mulheres que movem a justiça" ocorre em Brasília até sexta-feira (6). Em uma das mesas de debate, realizada em 5 de novembro, profissionais da comunicação e do direito defenderam que a união entre mulheres é um caminho para enfrentar o machismo e ocupar mais espaços de decisão. As informações são da Agência Brasil.
União feminina como estratégia
A presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Antonia Pellegrino, citou o "lobby do batom" como exemplo do que a articulação pode produzir. Foi uma aliança suprapartidária de deputadas federais e senadoras durante a Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988. Segundo ela, boa parte dos direitos garantidos às mulheres até hoje foi resultado da atuação desse pequeno grupo.
Antonia Pellegrino também mencionou a informação de que pelo menos 40% dos cargos vitalícios serão nomeados na próxima década, o que abriria espaço para mulheres no Judiciário. Para ela, atuar em rede é uma estratégia de sobrevivência que as mulheres conhecem há séculos. A presidente da EBC afirmou ainda que a comunicação pública tem sido alvo frequente de governos extremistas e que redes de apoio ajudam a conter a desinformação.
Enfrentar o machismo como questão cultural
A advogada e influenciadora Sara Gabriela, responsável pela página "Seja a princesa que salva a si mesma", disse que o machismo precisa ser reconhecido como elemento cultural. Para ela, o ordenamento jurídico brasileiro é avançado, mas o combate à misoginia exige informação objetiva e sem suavização. O projeto surgiu em 2019, a partir do atendimento que ela prestava a vítimas de violência em comunidades de Goiás.
Direitos e acesso à informação
A advogada Miriane Ferreira, que tem mais de dois milhões de seguidores no Instagram, produz vídeos para explicar temas jurídicos. Ela observou que muitas mulheres deixam de reivindicar direitos sobre o patrimônio construído no casamento porque não trabalharam fora, embora tenham se dedicado ao trabalho doméstico e ao cuidado da família. Também defendeu a solidariedade entre mulheres.
Críticas ao Judiciário
A advogada Mayra Cotta, criadora da série "Afiadas", exibida pela TV Brasil, afirmou que as mulheres denunciam mais violações, mas são maltratadas pelo Judiciário. Em sua avaliação, ter mais mulheres em posições de poder não basta se não houver conscientização sobre o modo como as denúncias são recebidas.
Voto e narrativas
A jornalista Thayse Xavier, fundadora da plataforma "Elas trabalham", contou que a página incentiva a participação feminina nos espaços de poder e que, no mês passado, divulgou mensagens para estimular as mulheres a votar. A cineasta Fernanda Amim, diretora do documentário "Reconhecidos", que trata do racismo estrutural e das falhas do sistema de justiça criminal no reconhecimento fotográfico de suspeitos, defendeu abrir espaços por meio de histórias.