Clubes de futebol pedem ao STF suspensão da MP que proíbe as bets
Em audiência pública, Grêmio e Vitória alertaram para perda de patrocínios, enquanto o ministro da Saúde apontou riscos da ludopatia.
Representantes de clubes de futebol defenderam, em audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (3), a suspensão da medida provisória que proibiu as bets no Brasil. Segundo o relato da audiência, os dirigentes apontaram prejuízos imediatos com o fim da publicidade e dos patrocínios das casas de apostas.
Clubes falam em risco financeiro
O vice-presidente do Grêmio, Eduardo Schumacher, afirmou que o contrato de patrocínio máster sustentava salários de atletas e funcionários, categorias de base, futebol feminino e compromissos com credores. Segundo ele, o contrato deixou de existir da noite para o dia. Schumacher lembrou ainda que o clube ficou quase um ano sem patrocinador máster por falta de empresas dispostas a investir.
André Sica, do Vitória, disse que o time baiano já corre o risco de ficar sem recursos. Ele pediu a suspensão da MP para que a atividade volte e o Congresso trate do tema com nova regulamentação, com período de transição e mais fiscalização.
Saúde pública no centro do debate
O ministro Luiz Fux lembrou que votou contra as apostas esportivas em 2024, quando a Corte analisou ações contra a lei que autorizou as bets. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defendeu que a volta das apostas é um perigo, em razão do vício. Ele citou que 65% das mulheres têm vergonha de buscar atendimento e que, segundo pesquisas, o jogo eletrônico aumenta em 15 vezes o risco de suicídio.
Atletas também se manifestam
A Federação Nacional de Atletas Profissionais de Futebol demonstrou preocupação com a parte dos contratos destinada aos jogadores, com o risco de desemprego e com o crescimento do mercado irregular de apostas online.