André Lara Resende nega contato com Lula e diz que não tem encontro marcado
Economista disse à BBC News Brasil que a notícia de uma reunião foi plantada; proposta de conselho fiscal e monetário divide especialistas
O economista André Lara Resende disse à BBC News Brasil que não falou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que não tem nenhuma reunião marcada com ele. "Eu não falei com o presidente Lula, não tenho nem tive contato com ele, assim como não tenho nada marcado", declarou.
Versão de que a notícia foi plantada
Para Lara Resende, a informação sobre um encontro foi divulgada de propósito para desgastar a proposta ou outra pessoa. Ele afirmou que todos sabem que não quer ir para o governo, inclusive o próprio presidente, e descreveu o episódio como uma briga interna do governo na qual teria entrado por acaso.
O nome do economista ganhou destaque depois que a ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT) elogiou, nas redes sociais, um artigo dele. Ela o chamou de fundamental para enfrentar uma "ofensiva terrorista" dos mercados contra a agenda fiscal do governo.
O que propõe o artigo
O texto sugere a criação do CFMN (Conselho Fiscal e Monetário Nacional), que definiria metas conjuntas para a política fiscal e a monetária, com horizonte de quatro a cinco anos. O ponto mais criticado pelo mercado prevê que o Banco Central mantenha a taxa básica entre 3% e cerca de 5,5% ao ano, e só poderia sair dessa faixa em situações excepcionais autorizadas pelo conselho. O autor também defende uma transição de 12 meses para levar a Selic a 7,5% ao ano.
Hoje a Selic está em 13,75%, após a manutenção pelo Copom na reunião de 4 de novembro.
Juros e dívida no centro do debate
Lara Resende parte da ideia de que o déficit fiscal brasileiro decorre sobretudo do serviço da dívida, isto é, dos juros pagos. Ele avalia que a dívida, de cerca de 80% do PIB, não é extraordinariamente alta. Ressalvou que o país tem problemas de gastos e tributação, mas que eles não explicam o déficit.
Discordância no mercado
O ex-diretor do Banco Central José Júlio Senna, em entrevista ao WW da CNN Brasil, disse que não há aspecto do texto com o qual concorde. Ele admitiu que os juros têm influência importante, mas não são a principal nem a única causa do problema.
Fontes: BBC News Brasil e CNN Brasil.